26/04/2008

Crônica VII - Águas da Prata
Soni@ Pallone
"...Difícil descrever esse paraíso. Não bastam palavras bonitas para tentar materializar a paisagem que continua aqui, retratada na minha memória...
Águas da Prata é um pedacinho de céu verde escondido no meio das montanhas, com bosques de flores coloridas e piscina de água natural. Cidade por onde na minha infância, eu desfilava orgulhosa, nas carrocinhas puxadas pelos carneirinhos treinados.
A minha felicidade era tão pura, que eu não podia sequer imaginar que existisse tanta miséria humana no mundo das pessoas adultas. Adorava estar ali, e meu Deus, quisera que a magia do meu desejo, tivesse me transformado em banco daquelas praças, ou pedra daquelas ruas, para que petrificada ali, eu pudesse ter fugido do meu destino de criança que se tornou mulher, transmutando a minha visão das coisas, do mundo e dos seres humanos.
Nunca mais tive fins de tardes como aqueles em Águas da Prata, onde o sol vermelho liderava o arco íris como se fosse um Deus-carrossel, liderando uma caravana de luzes e cores que atravessavam a pequena cidade, saudando com nostalgia, o encontro do crepúsculo com o anoitecer.
Na hora da Ave Maria, um regional diário de bandolim, cavaquinho e violão se formava na casa dos meus tios, e uma festa de valsas e chorinhos fazia o fundo melodioso para todo aquele cenário, que de tão perfeito parecia o próprio céu.
Foi ali que me apaixonei pela música ... Foi lá que a minha sensibilidade poética se manifestou e depois disso esteve sempre comigo, na ponta dos dedos, na lembrança distante e constante de um vale verde bem próximo do céu..."
Escrito por Soninh@ às 26/04/2008
07/04/2008
Definições
Soni@ Pallone
"...Penso,
que antes do início de tudo
eu já arava minha terra
em silêncio...
E minha face oculta
respirava pelos poros
da ansiedade,
recolhendo-se no entanto,
temerosa...
Mas as palavras...
Ah!...as palavras...
Revelaram-se sempre tímidas
porém num dia distante,
o feto da inspiração expeliu a rima
e a minha poesia,
tão esperada nasceu..."
Escrito por Soninh@ às 07/04/2008
06/03/2008

MÁSCARAS
(ou fragmentos de um livro inacabado...)
Soni@ Pallone
"...Minha história sempre teve muitos recomeços, embora sempre reiniciando, nunca cheguei a lugar nenhum...
Enquanto meninas da minha idade brincavam de boneca eu já brincava de amar...
À medida que fui crescendo me deparei varias vezes com armadilhas colocadas na estrada que eu percorri!!!
Muitas delas me aprisionaram, deixando-me sem saída, prêsa facil, acuada e sem rumo...
À medida que fui ferida nao hesitei em ferir tambem... Sangrei. Sangraram...
Fui vítima e algoz, mas nunca morri, só passei a vida doendo muito, uma dor unica e singular. A dor de amor que consegue ser tao distinta, e que me surpreendeu doendo tantas vezes em variantes de intensidade e tamanho.
Meu primeiro afeto desvirginou meu coração ingenuo e se impos no meu caminho de tal forma que ainda hoje, mesmo em outra dimensão permanece...
As bonecas esperaram tristes, no canto sozinhas, enquanto eu ninava nos bracos um amor adulto e mascarado que despindo-se da mascara só deixou restar esta dor...."
Escrito por Soninh@ às 06/03/2008
20/02/2008
Meu Amor
Soni@ Pallone
"... Não é amor de chuva de verão
Nem de dois na cama numa tarde chuvosa
Ou paixão tardia de mulher descasada...
É amor de curtição,
de amoração,
de perdição,
de salvação...
Amor que bate e rebate
na rocha do nosso passado.
Amor que não tem hora,
que faz o tempo diluir e
escorregar pelas mãos,
feito ouro arenoso..."
Escrito por Soninh@ às 20/02/2008